sábado, 24 de setembro de 2011

Porque a virtude, esta deve ser praticada...

“Um dia um homem o fez entrar em uma casa ricamente mobiliada e disse-lhe: ‘Principalmente não cuspa no chão.’ Diógenes, que tinha vontade de cuspir, jogou-lhe o cuspe na cara, gritando-lhe que era o único lugar sujo que havia encontrado para poder fazê-lo.”
(D. Laércio- A vida de Diógenes - V)



Queria ter conhecido Diógenes, o Cínico. Diógenes de Sinope. Diógenes, o Louco.
Remete a ele algumas de minhas memórias mais felizes daquilo que nunca fui...e do que eu nunca serei.
Ele se destaca cá, na rede de minhas idéias, de tantos e tantos outros que comigo já se fizeram companhia na longa estrada dos meus dias.
Diógenes andava semi nu sobre as ruas.
Fazia suas necessidade físicas em qualquer lugar, sempre que a mãe natureza lhe ordenava.
Vivia por aí, sozinho, buscando a sua verdade.
Fez da pobreza material absoluta sua maior virtude.
Andava sempre com uma lamparina nas mãos e mesmo ao dia mantinha a chama acessa.
Quando questionado a respeito de tal ação descabida, respondia ao transeunte que passava:
“- Estou apenas a procura de um homem verdadeiro!”

Diz também uma de suas célebres histórias, que ao encontrar Alexandre - o Grande, maior e mais importante conquistador da cultura ocidental, este perguntou a Diógenes do que ele precisava.
O filósofo então, sentado ao solo, vendo que o famoso homem lhe fazia sombra com a onipotência de seus cavalos e homens disse:
“Apenas não me tires aquilo que não podes me dar”
"- Deixe-me ao meu Sol-".
E calou-se.
Diógenes foi apelidado pela população de Atenas de “cão”, porque além de um cajado e de um velho alforje, seu único pertence era uma pequena tigela de barro, onde o mesmo fazia suas raras e breves refeições.
Viram ele, certo dia, a pedir esmolas a uma estátua na praça:
“Peço porque ela é cega e não me vês.” Simples.
“E além disso me acostumo a pedir, sem nada receber.” Sábio.
Palavras de independência, palavras sensatas. Palavras perdidas.
Há certo tempo de sua vida, ele foi feito escravo e vendido. Ao ser questionado pelo seu novo dono quais eram suas qualidades e o que ele sabia fazer, respondeu de imediato: ‘sei mandar’, e gritou ao arauto: ‘Pergunta quem quer comprar um amo?”


Hoje não há mais ecos de Diógenes, não há mais espaço pra homens como ele.
Hoje além de se ter a lanterna de Diógenes, mais do que nunca é preciso também ter seu cajado.
Ah, e claro, hoje também é preciso ter fé na gente.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O inex-orável e agora inexistente Sr F.

“Nunca se aprende bastante com os homens.”
J Joyce, em Ulisses.



Quando descobriram o corpo de Edgar Fritz, depois de quase vinte e quatro horas de inércia mórbida, sentado no sofá da sala e com a xícara de chá frio, ainda em seu colo, nunca tiveram, todos na cidade, tamanho interesse em sua existência.
O médico chegou, atestou, vomitou.
Não necessariamente nessa ordem.
Zeloso e preciso como era, constatou categoricamente a morte do sujeito.
“Não está mais entre nós...” e ponto.
Ponto, ele justificou em seguida, porque a patroa ainda quer por que quer ver a sessão das sete no Riviera. "Hoje todos pagam meia", sorriu sem precisar sorrir.
E foi saindo do local.( e consequentemente da história).
O agente funerário, que chegou logo após, foi apenas preciso e metódico, como cabem a todos eles, claro, em meio a expressao incrédula e satisfeita de toda a gente que rodeava a mansão sombria, propriedade da família F. à séculos.
Foi um homem nulo o coitado.
Definido assim seu obituário, seguiu seu corpo para o local necessário.
Então Sr F tranquilamente e sem contestações, se foi.... se foi indo .mas indo mesmo.

Mas a quem diga que ele ainda preservava em si, como que por milagre, aquela pequena centelha de formosidade, vigor e ódio da raça humana, que compartilham todos aqueles que na vida aprendem que o instinto de sobrevivência cria vantagens sobre a massa, coisas que a genética e o caráter não permitem e que a sociedade não perdoa jamais.

Ignorando o parágrafo acima, voltemos ao enterro, aonde sete escolhidos pelo destino se revezavam entre discutir suas obrigações morais, caminhar e a velar os últimos minutos do honorável (e a cada momento mais morto do que nunca) defunto.
Eram aqueles com quem ele vinha, ao longo de décadas, a ter algum tipo de contato social. O barbeiro, o melhor e único da cidade, a lavadeira, que se manteve calada durante todo este conto ao revezar seus pensamentos em cada desejo sexual atendido ao cadáver e em se desviar no trajeto até o cemitério de alguns bêbados anônimos, que se identificavam com a triste vida acolhida pelo protagonista da cena e acompanhavam , como podiam, o espetáculo.
Antes do caixão descer, alguém propôs um minuto de silêncio, cerimônia interminável ao pobre homem que nunca havia rezado na vida.
Não se ouviu choros e nem se ouviu despedidas.
Alguns brindes oportunistas ao longe.
Foi como se todos quisessem que aquilo acabasse logo, que enterrassem o sujeito imprestável, ridículo, miserável e mesquinho que por sua vez ansiava a se decompor com a mais devida urgência.
Pra quê a pressa?
Pra que pusessem voltar logo pra suas vidinhas de merda.( que embora "de merda" ainda sim eram vidas e portanto uma vantagem acalentadora a tudo aquilo que se passava no momento.)
Ma se você, caro leitor, tem olho clínico pra coisa e percebe as nuances do cotidiano....ah meu caro, não há como descrever em palavras...
Foi sublime, foi grotesco, foi definitivamente... humano.
Se pudessem congelar aquele instante máximo...o clímax...o caixão descendo...as faces congeladas...e analisar cada olhar...cada desvio de olhar....cada piscadela...de cada um daqueles presentes ao ato, excluindo-se as ações do protagonista, por razoes obvias, claro.
Ah, sem duvidas...faria-se ali um novo capitulo da Divina Comédia.
O medo, a raiva, o desconhecido, o pavor da terra sobre o corpo.
A Redenção.

(pausa)

A morte portanto, nesse caso, não foi em vão.
- "Vá com deus, caro Sr Fritz", disse por fim o fiel companheiro de bar, não amigo, mas com lagrimas verdadeiras, que quase apareceram na sofrida face enrugada.
Um ultimo ato de tentativa de sentimento .
- "Ou que o diabo o carregue!". Pensaram outros em resposta uníssona.
Qual caminho escolheu não sei, apenas tenho a certeza que ele se foi.

Esse foi o Sr F, batizado Edgar R. Fritz, que ocupou minha mente por um longo tempo e que me fez ser um pouco do que hoje sou.
E se vc não o conheceu, ah, pode apostar, vc definitivamente não teve sorte nessa vida.

Divago e fico...lugar comum com pitadas de auto ajuda

datado de 20/11/2001

Ame bem o seu amor....
e faça valer a pena...
o mundo não corre a favor
daqueles a quem dele apequena
ainda esperam respostas?
ora, apenas siga seu curso...
hoje te beijam, ontem discurso
amanhã? irão dar-lhe as costas!

mas ainda sim, Cuide bem
daqueles a quem vc ama...
da família e dos amigos que tem
siga o caminho que chama!

se ainda viver, a mais bela arte!
Há também quem no mundo te engana
ao contorno destes perigos, alarde!
fé infantil e uma alegria profana...
Então faça sua parte, amigo
fale apenas a sua parte...
e do insólito amor imortal,
mesmo que seja o final...(é sorte)
mantenha viva sua chama!

....
tenha fé.
guarde teu egoísmo,
e sofra calado.
ninguém tem nada com isso.
ninguém.

Se tu vieres, ou melhor ainda, ficares

Sou pouco pois sou um só
apenas mais um na jornada
mas se ficares, repito e garanto
terás companheiro de estrada

não prometo céus, apenas terra e abrigo,
ja disse, pois sou homem limitado
mas algo, que ninguém tem, te digo
um segredo aqui tenho guardado

bonitas palavras não ficam
nem versos pobres de fato
sou teu... mas se fores minha
aceitarias acordar esse trato?

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sonhos

Antes de morrer, só bem antes
quando ainda me fazia poeta
tinha em mim forças infantes
era minha alma concreta.

Éramos dois, o sol e a penumbra
a correr pela trilha verdade
foi-se época fecunda
era nossa mocidade

Então, o vento soprou
e vi cansaço em seu rosto
lembro bem quando o sino soou
era pleno mês de agosto


o que aconteceu ao meu lado
tristeza, que aqui já anseia
o calor de súbito trocado
pela frieza de vidros na areia...

Tempo

                                                                                                         Eu agora, que desfecho!
                                                                                                           já nem penso mais em ti...
                                                                                                            mas agora que nunca deixo
                                                                                                             de lembrar que te esqueci?
                                                                                                                                          Mário Quintana


(datado de 23 de junho de 2004)


Seu mundo entrou em colapso numa manhã de sábado.
Ela, ao acordar, percebeu a falta clara e real daquilo que havia se tornado cotidiano.

O rádio que a despertara noticiava calor e tempo claro para todo o fim de semana.
Mas não haviam mais planos que a incluíssem.
Virou a cabeça, olhou em volta.
Vazio.
A sensaçao de dedo goela abaixo bateu forte.
Eram exatos sete e quinze da manhã.
O mundo lá fora seguia seu curso, nada havia mudado.
Carros, pessoas apressadas, pombos na praça, vira-latas farejando comida.
Bateu vontade de escrever uma carta.
Saudade da mãe que já se fora.
Lembrança de uma música há tempos esquecida.
Pensou na academia.
Pensou em fazer um bom almoço.
Pensou em alimentar o canário.
Nada disso.
Ligou a Tv.
No momento em que no noticiário falavam de uma separação de gêmeos siameses, lá na Tailândia, notícia que em dias comuns passaria despercebida.
Primeiro vida, depois União, destino, escolha, separação... o cerebro processava tudo instantaneamente.
E tudo aquilo doía fundo.
Doía como se um punhal afiado saisse de dentro pra fora, poupando a carne e dilacerando a alma.
Veio a náusea e então lembrou-se dele.
Viu um jarro de rosas murchas encostados na cabeceira da cama.
- O tempo instala metodicamente todo o curso da vida - refletiu.
"Não há saida de emergência.".
Ninguém quer ser triste, mas por que diachos a nossa felicidade tem que estar nas mãos dos outros?
Aqueles que dizem serem felizes sozinhos mentem copiosamente.
Fechou os olhos.
Procurou , ainda encostada ao travesseiro, com as mãos remexendo, um recado dele na gaveta.
Achou um papel dobrado, já roto pelo tempo.
Leu (e releu) a mensagem:
"meu bem, tive que sair mais cedo, reunião as 7. tem pizza na geladeira, volto as 7. Bj, fica com Deus."
Uma lagrima anunciou,pairou.... mas não veio.
Respirou profundamente.
Pediu coragem aos céus pra se levantar, pra tocar em frente, pra sentir novamente fome, desejo, algo que lembre vida.
"Vida, vida, vida", repetia sozinha como uma prece.
Mas ela sabia que a felicidade tinha ido . e que ela não mais voltaria às 7.
Reunião sem hora marcada. Demissão com justa causa.
Restaram ali as rosas, restou a carta, restou a sensação de que poderia ter sido.
Mas que  não foi.
Ela sabia que aquela era a sua chance.Isso não se descreve com palavras.
Depois de oito meses ela casou-se com renomado arquiteto. Homem bom e influente.Tiveram 3 filhos.
Ele foi para Paris, arrumou emprego estável, comprou terrreno pra mãe e alguns meses depois deu um ultimo mergulho com roupa e tudo mais no belo e indiferente Rio Siena.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Exausto

O errado e o certo...
qual caminho seguir?
fazer a viagem dos sonhos ou procurar uma invenção pra que a luz dos teus olhos estejam sempre ao meu lado?
dá pra juntar só isso?
...se nos esforçarmos dá sim.
juntar tudo isso e colocar sentido em tudo e em nada.
(a noçao do perigo....ah, a maldita noçao do perigo...)

"Vida Imensa. Vida breve"...
mas tem sempre a força pra colocar tudo em ordem...
e tem tanta gente sem nenhuma história pra contar...
observar pessoas na rua...observar espelhos.
alguém te escolheu pra seguir seu caminho...
e agora?

seu coraçao eu penso comigo... é sem preço pra mim
até claro eu dizer que não preciso mais de você...
histórias antigas, estórias guardadas...
Dias difíceis...noites em claro...
tudo isso e mais um pouco Schopenhauer explica.
Mas eu insisto e acredito que te amo...
clichês, sexo e sempre o mais do mesmo...
e claro...
muitas outras  noites em claro...

deixa eu saber o que você pensa
quando o mundo se revela a você?
ou me deixa aqui,
quieto.
Quieto na medida exata da tranquilidade dos pombos, que mesmo com asas, buscam e se contentam com migalhas ao chão.



é amor, claro.
mas e se não for tudo isso?

Inocência

Lógico que eu sabia.
Ou ao menos hoje eu sei.

Era fim de verão, meados dos anos 90.
Aquela experiência que ocorre, se estivermos atentos, claro, duas ou três vezes nesta vida.
Daqueles fatos que nos marcam, que volta e meia vem à tona, latejando a cabeça da gente.
Primeiro, digo que se pudesse, por obra do destino ou mesmo de Deus, que por fim machucam do mesmo modo, faria tudo outra vez.
Igualzinho.
Do mesmo jeito.
Ela nem era tão bonita.
Era comum.
Mas como as coisas comuns dessa nossa estúpida vida ela tinha algo único, e o que a fazia tão comum por fim a fez única, milagre dos sentimentos alheios.
Na minha finita e desocupada visão do mundo, como ele se mostra, ela chamou minha atenção.
E logo fez sua morada aqui entre os Meus.
Coisas bonitas, eu pensava naquela época, são tão limitadas e por si só tão previsiveis em suas perfeições, que cansam demais a  gente.
Elas não fadigam os olhos, claro, sempre sedentos à ingenuidade.
Mas fadigam a alma.
E também nosso estômago, nauseado a aceitar tudo que o espírito o alimenta.
Ela era minha saída.
Uma oportunidade de fuga.
Não sei se acontece com todos, ou com todo o mundo, mas aprendi que se formos espertos, devemos ser felizes e aproveitar a vida como ela nos aparece.
Li isso em algum lugar, acho que muita gente leu isso também.

Mas não o será.
Nunca.
Assim como não o será a humanidade, antitese da vida.
Sem pessimismos, sem mais delongas, segue a história...
Cheguei com cuidado, pois nosso instinto avisa, e obriga,  que em terreno estranho devemos nos proteger de cada passo, semente, pessoa ou brilho que se aproxime. ( sim, naquela época assim eu agia).
Escolhi minha máscara, camuflei meu coração, me tornei mais homem do que nunca fui e ainda mais humano do que talvez nunca serei.
E apostei.

Não mudou.
Como as crianças, o homem apaixonado toca o que o fere com os sentidos, mas um "nao"...um simples "não", esta única palavra,  mudando todo um universo.
Mudando meu mundo.
Aquilo ainda há de me fazer respirar a vida inteira.
A minha felicidade e a minha utopia em jogo.
E mais nada.
Não.
Ah, sabes, naquela noite eu não dormi.
Acho que não dormi por três noites seguidas.
Atribuí esta minha miséria absoluta a um obstacúlo terreno, isso por meses.
Lá pelo fim do ano, cansado demais...eu descansei.
Coisa de instinto de sobrevivência mesmo.
e nessa noite, ao me lembrar de tudo passado, blues, noites em claro, secura nos olhos...eu brindei sozinho.
Naquela noite, sim, me lembro bem, eu não bebi uma taça...mas a garrafa inteira.

Ecce Homo

carrego o alicerce do mundo
a vida sóbria é quase assim
chegará minha vez,tenho calma
mesmo que seje ao fim
da tal Vida - um flerte da  morte
é tango em fim de novela
que na hora, não hesitante
(ou que apenas -por um instante-...)
eu sinta os lábios dela...
Então, o céu se abrirá
metáfora do perigo iminente?
a dor, ela finge que passa
e a gente então finje que sente.
dirão: - "Toda vida é dolorosa" -
o primeiro ensinamento budista
no rol das perdas e ganhos
colocam meu nome na lista
e eu, com meu amor ( negado)
saio definitivo da cena
apenas um coadjuvante
sem nenhuma idéia brilhante
e se nada fiz de importante
eu devo aos caprichos de Helena !
foi Midas, de modo reverso
que trouxe consigo pesares
estamos mesmo protegidos
quantos mortos e feridos!
ou estamos foragidos
no seio de nossos lares?
Ao vasto vale do mundo
levei meu cancer material
na busca à pureza do Homem
me fiz de novo animal
e qual foi tamanho o espanto
ver esta terra assim devastada
é tão pouco pra quem via muito
vasto mundo pra quem via nada
Cristãos, judeus e budistas
todos deixando seu rastro
iniciantes ou passionais
seguidores de Zoroastro
A queda e os anjos rebeldes
vieram da duabilidade
então todos seremos punidos
por uma simples curiosidade?
sim, eu vi.  A mim mesmo,
na sagrada montanha do mundo
"ah , teu coraçao é tao raso
e o teu egoísmo profundo."
o medo, nosso motor pulsante
aqui, ligado à  moral
destila tantos prazeres
tranquilo, sereno...tal qual
libertos das suas correntes
no simples sair para voar
traçando destino incerto
de você, fiquei bem perto
sem defesa, estou aberto
imovel, lhe vejo passar.
já Deus, figura paterna
que trazes no inconsciente
nos mostrou Adão e Eva
mas não se esqueceu da serpente
Ah, o Problema em envelhecer
é o crescente medo da morte
muitos de nós queimando aos poucos
mas outros tem melhor sorte
Dédalo vôou com prudência
assim atingiu outra margem
mas foi Ícaro usando a História
que soube curtir a viagem
Ao aceitar tudo isso
como uma conclusão derradeira
entrego minha'lma cansada
pois de você nao espero mais nada
a vida só é coisa passada
em livros de cabeceira...
estou só, com medo de tudo
estou nu, covarde e imundo
sou livre, mas como outrora
ainda alicerce do mundo!

dESNORTEADO

Leve pura madrugada
Rosa dos ventos
das almas perdidas
ouvi meus lamentos!
andando na chuva
na mais pura calma
Rosa dos ventos,
lavai minha alma!
na noite obscura
no trato da pele
suave textura
a quem se difere
da Rosa dos ventos
que trago na vida
sugai o veneno
e tratai da ferida
no fim da jornada
no toque da morte
outrora disposto
um tino de sorte
abrindo meus olhos
cansados e lentos
mas não existe sentido
pra Rosa dos Ventos...