sexta-feira, 17 de junho de 2011

Cartoon

Seu amor veio e foi-se.

Foi como passarinho...

mirou horizontes, bateu asas,
Caiu do ninho...

Veio o gato,
personagem  alheio a todo o destino
Te colocou entre seus dentes,
Com carinho.

Virou a esquina
Te levou daqui,
      ...      e sumiu.
Sorrateiro, calmo, confiante,
de mansinho...
de mansinho...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Cotidiano 1

Você,
que tem os dados brancos na mão,
irá realmente arriscar-se nessa vida?
arrumar um emprego,
perder a inocência...
ao dizer "Eu te amo"?

irá ser alguém de verdade?


seus amigos, sua família,
eles poderão realmente contar contigo?
já sentiu a brisa de hoje,
acordou cedo, respirou fundo...
Você, alguma vez na vida, já colheu flores reais?


irá contrair uma rara doença
que destruirá seus sentimentos?
e trocar seus poucos segredos
como notas rasgadas (guardados no bolso)
numa prateleira de supermercado?

você irá por tudo a perder?

destruir os que ama,
sem dizer uma única palavra?
olhar pra trás,
ver suas pegadas indiferentes
pra entender que se perdeu?
(e o QUE se perdeu?)

é isso que te restou,
Todos se foram...
no apagar das luzes...
Sozinho, você então percebe
que também não vai durar muito tempo...

Triste é o rio que corre sem nunca lhe perguntarem o porquê.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Cotidiano 2

À noite, quando você está a dormir
Bem ali, na nossa cama desfeita
Eu liberto de mim quase tudo de bom que trago comigo
É nessa hora
De silencio, de calma absoluta
Vendo seus pés descobertos
Seu rosto sereno
Um quase  sorriso surgindo na face
 (presságios de bons sonhos ?.)

É só ali
naquele exato momento
Que eu deixo por um instante de me preocupar contigo
Enconsto-me na cadeira
Relaxo os meus ombros
Fecho os olhos e respiro profundamente

Agradeço...não sei bem o quê ou bem a quem...
Nem sei se realmente agradeço...(mas sinto como se fosse uma prece)


E quando de repente você se mexe,
vira-se para o outro lado...
pelo desconforto da inércia

Vem o susto!

Me volto pra realidade, pro cotidiano,
pra minha sina...
E então volto a te amar
mais uma vez...

Pelo telefone *

*história retirada da minha mente, mas influenciada claramente pela escrita de Caio F. há diversas citaçoes do autor, emendadas aqui como se fossem uma colcha de retalhos...
que seja, créditos a ele....


“Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita...”
Carlos Drummond de Andrade



“Se eu talvez tivesse sido mais forte”
Essa é a frase que lateja na minha cabeça desde quando deixei que as coisas acontecessem.
 Culpa minha, só minha, da minha maldita fraqueza. Mas antes que me pergunte, não, não tenho nenhum orgulho disso. Nem orgulho, pena, arrependimento nem nada.
 - A ligação ta péssima...tá me ouvindo?
Só me lamenta é saber que, sempre fui eu no comando, o tempo todo, ditando regras e fazendo as coisas do meu jeito. Baita mentira, eu tava mesmo era  carente, de porre,  e incrivelmente fudida ; comigo, só comigo e com a vida.
Um dia se ajeita. Ah, se não!
Sim, eu sei, nesse momento, era eu, ainda era eu, e mesmo quando abdiquei da vontade, vista antes como conquista, e cedi espaço, ainda era eu.
Sabe quando a gente tá sem rumo? mas sem rumo mesmo, tipo fim de noite, gosto de cerveja quente na boca, que mesmo assim a gente empurra goela abaixo, por simples desespero, pela exata falta de sentido daquele momento, pela musica absurdamente alta que incomoda os ouvidos e a alma, mas que a gente tolera por saber que o silêncio seria, esse sim, intolerável; quando se percebe, na verdade:  eu queria mesmo era não estar ali, longe, sozinha, mas não “longe-sozinha”, entende?
Aí, nessa hora, sai de baixo, baixa metafísica, bate saudade de casa, é nó na garganta, aquela vontade louca de ser eu mesma ...só que  depois passa.
Ontem, ele tinha ligado, justo no momento em que eu tava tranqüila, não pela vida, tava tranqüila era  pela ausência da falta, ausência daquele sentimento calado, uma trégua nestes dias tão presentes...
Então ele veio, com o mesmo jeito de antes, e eu que já passei por essa estrada, que já conheço cada movimento desse jogo, lá fui, perfumada, segura, dona de mim, pagando pra ver.
“È tudo busca”, você diria; a tão falada  e  eterna busca ao amor, porque somos seres complexos, sociais, conscientes, e temos essa extrema necessidade por afeto e por um corpo quente pra chamar de “meu bem”, pra acordar num domingo de sol e cheirar o travesseiro dele e pedir um abraço, só mais um, e ouvir que te amo e te quero pra sempre, “até quando estivermos velhinhos?” , “sim, até quando formos dois velhinhos chatos e  ranzinzas”, e ao lembrar que hoje é  quarta feira, ansiar pelo almoço de domingo com a família reunida, ligar e dizer pra Tia Carmem não faltar , trazer as crianças e encomendar brigadeiro ....”.
Fala sério, ontem ele  falava de amor e queria mesmo era me comer;
 Tá, concordo, eu também queria isso, e pra não fazer feio fiz meu joguinho manjado, tudo baseado no meu conhecimento prévio dos fatos, naquilo que eu sei e aprendi, naquilo que no fim, sabemos todos, não serve mesmo é pra nada.
Mas que ainda funciona. E bem.
Justo quando eu estava mais ou menos em paz (se é que isso existe), fui lá e estraguei tudo, e o pior, incrivelmente de forma tão superficial, ficando no fim aquela sensação dejavú, tipo “é assim-que-as-coisas-são” e “ não-há-nada-a fazer-e-amanhã-tudo-passa...”
Isso, foi ontem.
“O instinto de sobrevivência não tolera cama vazia”, você uma vez  me disse isso.
Lembra que na hora eu achei graça ?
Se fosse hoje, talvez continuasse a sorrir, mas agora com a boca seca, porque, te digo, a contemplação destas coisas reais doeu de um jeito que eu acusei o golpe, perdi algo que não soube na hora o quê, e talvez ainda não saiba, mas que incomoda .
E persiste.
...Ainda tá ai pra me ouvir?
Hoje de manhã, escovando os dentes, como em um mantra, fiquei repetindo repetindo : “quero uma história bonita, quero voltar no exato ponto em que perdi o toque. “
- “Ce” não tá me entendendo e eu to falando merda, né?
Fico aqui, te enchendo, procurando saída pra isso, saída praquilo, sabendo que não...que saco! tô cansada de saber que não quero saída pra merda nenhuma, só me bastava mesmo era um pouco de equilíbrio, isso, equilíbrio, pra que quando eu desejasse andar, pudesse fazer do meu jeito.
Acho que agora  tô tão longe disso, sabe, porque a minha vida tornou-se partes de coisas alheias, parte do meu trabalho, das pessoas à minha volta, e acredite, ainda não me vejo parte disso...ainda. Porém aceito.: calada, omissa, ótima funcionária.
De alguma forma e por algum estranho propósito mantenho ainda alguma coisa guardada. Egoísticamente, em segredo, faço isso só por mim. Já tentei de tudo, noitada, tarô, amor platônico, virtual, xadrez, ficar, beijar, trepar, televisão no domingo, “livro de auto ajuda, horóscopo, novas aventuras, velhas decepções, até comprei um cachorro”...não me interrompa agora, tá ?, é que de tudo isso que eu te disse, só resumindo, queria apenas ser eu mesma, e ao querer isso, desejar com uma fé daquelas,sabe, tipo, febre de criança, tipo aqueles programas de crente que passam na madrugada, levantar os braços, sem precisar  levantar os braços, gritar , sem precisar abrir a boca... ah, Deus, Buda, Oxu, que nada....  quero uma fé danada é em mim mesmo!
Sabe, a gente perde tanto tempo procurando sentido na vida e o único sentido é estarmos vivos, parece tão obvio, né? Pois é,  Eu também não consigo.
Não sei se a gente, no final , pode mesmo voltar atrás , porque é tudo tão rápido, tanto trauma, tanta gente, tanta vida vagando entre/com/sobre a gente e a certeza de  que não dá pra retornar e sermos aquilo que éramos... A gente se encontra e se perde todos os dias, mas um dia ....Arre! quem sabe um dia ...
Tá tarde né? Veio o sono agora , metáfora perfeita pra esse  fim da conversa,
Fica bem
Fica com dEus
Fica na memória aquele trecho do livro que vc me deu...

              “teu coração baterás com força, sem que ninguém, ninguém  escute...”

- .................. .