sábado, 30 de outubro de 2010

Labuta *

A mão do lavrador surrada
tem nela marcas de ingratidão
dali se vê muito além da roça campada
muito alem da foice na mão
Na mão do lavrador cansado
em dia de serviço puxado
se vê sangue, suor, solidão
mas por dentro, no fundo,
em silêncio tampado
sem vestígio, sal ou chamado
ele não revela a ninguém (nunca!)
os calos do coração...



*achada em um caderno antigo, provavelmente de 2006.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Por você


Desde a primeira linha nascida aqui, como que por um decreto universal, fica por tempo indeterminado e até segunda ordem, qualquer tipo de comentário ou pensamento sobre sua pessoa.

De qualquer um!
Apenas em meus pensamentos você agora tem passe livre, pra caminhar, viajar, pra sobreviver.
Como que fosse nova lei e uma nova ordem, a partir dessa manhã, ninguém, repito ninguém tem mais o direito de pensar em ti.
Quero todos os seus pensamentos, alheios ou não, quero o menor dos seus defeitos, todas as suas células e lembranças... guardadas aqui comigo.
Nao a qualquer tipo de evento novo, livre e disponível ao mundo, qualquer fotocópia ou polaróide, qualquer desejo ou vontade comum... nada.
Que o mundo esqueça que um dia você esteve entre eles.
Fica retido, por minha ordem, com se fosse por um deus, as suas menores preocupações e seus maiores traumas. E que qualquer outro deus ou entidade cósmica presente, onipresente ou sei lá, algo que se assemelhe a isso, que procure nova musa ou devota .
e digo mais, que cada um deles também se esqueça que vc um dia existiu. Cada um deles...
Que qualquer passo da sua nova vida será agora feito apenas dentro do meu peito.
E no de mais ninguém. Incluindo o seu.
Sua nova morada é dentro de mim. Seus desejos são agora a minha sina e meu objetivo eterno.
Seus primeiros passos, seus rabiscos, sua puberdade, virgindade, libido, gozo e decepção ....todos confiscados, guardados em local seguro, são meus por direito.

E que quando vc se sentir sufocada, cansada, entediada, que eu perceba logo.
É meu dever zelar pelo novo.
E que possa misericordiosamente abrir a janela...
Pra que o vento que entre...como que por milagre, refresque seu eterno amor por mim , também comprado sim, eu sei.
Mas por um preço justo.
E que eu te faça  feliz.
Mas não saia daqui, certo?
Nunca mais.
Não é mais seguro lá fora.

domingo, 24 de outubro de 2010